“Beatriz Azevedo and Moreno Veloso’s collaboration has been made with grace and peculiarity.
This unique combination is the very signature of Clarice’s work.
The two together achieve the obscure clarity of the 20th century’s greatest Brazilian prose writer.
Clarice Clarão is an intimate performance that so meaningfully expresses the great beauty that is created in Brazil.”
C a e t a n o V e l o s o
A colaboração entre Beatriz Azevedo e Moreno Veloso é feita de delicadeza e estranhamento. Essa combinação é o que há de mais Clarice.
O Canto inicial é uma aventura de tratar nomes próprios, nomes de grandes artistas, como se fossem verbos pronominais. Sempre na primeira pessoa do singular. A melodia que Moreno trouxe para as palavras de Beatriz fazem a passagem dessa estranheza para uma sutil doçura de modo tão equilibrado que a gente fica logo sabendo que um Agora clariciano não poderia começar de outro modo.
Já ouviremos Beatriz lendo texto em que Clarice diz que nada tem a ver com a moça cuja história vai contar – mas que escreve-se a si mesma para fazê-lo.
“Deusa do Amor”, música de desfile do bloco Olodum que virou oração global na voz de Moreno, vem ecoar, antecipadamente, a conclusão spinoziana da escritora: “Deus é o mundo”. ”Eu sou a base do supremo” diz o verso do Bhagavad Gita traduzido por Rogério Duarte e musicado por Moreno.
“Se esta história não existe, passará a existir”, eis por onde Clarice passa ao iniciar a contar sobre a moça.
Beatriz é sempre a voz da autora e a das moças sobre quem ela escreve. Moreno soa como o observador sábio.
Os dois juntos dão conta da claridade obscura da maior prosadora brasileira do século 20.
Sem rede de proteção, os dois se entrelaçam com os sons celestiais do cello de Jaques Morelenbaum e a vida táctil e profundamente terrena da percussão de Marcelo Costa.
E mais: chamam Bethânia para dizer um trecho de pausa, de dissipação das trevas, de nascimento, como se sua voz fosse inevitável depois da expressão “grande demais”. Tenho orgulho de ser parceiro do menino Moreno em “Um canto de afoxé para o bloco do Ilê”. As imagens e a música são analisadas por quem escreve.
Clarice faz força para fazer a coisa voltar aos sons tonais (e atonais), às cores, às sensações todas – e este encontro de Beatriz e Moreno sugere experiências dessa passagem.
Beatriz canta “faísca e clarão!” Clarice-Clarão. Na rede da paixão.
Torquato Neto, sobre a música de Carlos Pinto: que não tem mais fim.
A largueza exigida por Clarice libera Beatriz e Moreno para que saúdem tudo com versos de Oswald de Andrade.
Espetáculo íntimo que expressa tanto a tão grande beleza que se produz no Brasil.
Caetano Veloso
album CLARICE CLARÃO by Beatriz Azevedo and Moreno Veloso,
with special guest Maria Bethânia.
Among the musicians are Jaques Morelenbaum (cello) and Marcelo Costa (percussion).
The presentation text is signed by Caetano Veloso,
and the art by the philosopher and artist Marcia Tiburi.
CLARICE CLARÃO [Beatriz Azevedo]
UM CANTO DE AFOXÉ PARA O BLOCO DO ILÊ [Caetano Veloso e Moreno Veloso]
ÁGUA VIVA [Clarice Lispector]
CANTO [Beatriz Azevedo e Moreno Veloso]
REDE [Beatriz Azevedo]
Voz: Beatriz Azevedo
Voz e Violão: Moreno Veloso
Violoncelo: Jaques Morelenbaum
Percussão: Marcelo Costa
Gravado por Gustavo Krebs e Jerônimo Orselli
no estúdio Biscoito Fino
Assistente de Gravação Guilherme Pestana Vaz
Mixado por Jerônimo Orselli
Masterizado por Florencia Saravia
Produtora: Laura Francis
Produção executiva: Acrobeat Produções
Pinturas originais: Marcia Tiburi
Design Gráfico: Nilton Bergamini
Comunicação Selo Sesc: Renan Abreu
Roteiro: Beatriz Azevedo, Marília Librandi, Moreno Veloso
Texto de apresentação: Caetano Veloso
Produção musical: Beatriz Azevedo e Moreno Veloso
Direção artística: Beatriz Azevedo
Lançamento: Selo Sesc
SESC SP
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